
no princípio não existia a vertigem. subíamos das planícies até à torre da montanha mais alta da terra. daí, lançava-mo-nos para as estrelas. em bicos de pés, começávamos por levitar ligeiramente. quando sentíamos o corpo leve como o algodão doce, abríamos os braços e iniciávamos a viagem ao irracional. tínhamos os olhos presos nos olhos do outro e sorríamos da profundeza de nós para o vazio. depois, cresciam-nos asas e rasgávamos o céu, até desaparecermos da vista dos homens e dos pássaros.
para lá do azul (da terra), escutava-se tim buckley, peter hammill, john cale e "in a manner os speaking". a música vinha de dentro de ti e abandonava o teu peito em espiral. percorria um caminho sem tempo até ao meu (peito) e preenchia-o de pontos de luz, da mesma forma que o relógio justifica o dia. nessa precisão, largávamos a pele, a carne e os ossos e caminhávamos um para o outro: eu luz, tu luz.
quando, por fim, nos reduzíamos a uma única linha, nasciam de nós outras estrelas, que iniciavam um longo percurso até ao confins do universo. ainda permanecíamos algum tempo entre a terra e o vazio, confundidos com as estrelas mais velhas, a preencher a luz de matéria. depois, regressávamos aos braços, às pernas e à planície. à nossa espera, estavam apenas as flores, as abelhas, e as crianças. o resto da humanidade ou dormia ou contava o tempo e o dinheiro.
para lá do azul (da terra), escutava-se tim buckley, peter hammill, john cale e "in a manner os speaking". a música vinha de dentro de ti e abandonava o teu peito em espiral. percorria um caminho sem tempo até ao meu (peito) e preenchia-o de pontos de luz, da mesma forma que o relógio justifica o dia. nessa precisão, largávamos a pele, a carne e os ossos e caminhávamos um para o outro: eu luz, tu luz.
quando, por fim, nos reduzíamos a uma única linha, nasciam de nós outras estrelas, que iniciavam um longo percurso até ao confins do universo. ainda permanecíamos algum tempo entre a terra e o vazio, confundidos com as estrelas mais velhas, a preencher a luz de matéria. depois, regressávamos aos braços, às pernas e à planície. à nossa espera, estavam apenas as flores, as abelhas, e as crianças. o resto da humanidade ou dormia ou contava o tempo e o dinheiro.





